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domingo, 11 de novembro de 2012

Origens da Segunda Guerra Mundial - Parte IV

Agora é a vez da Polônia. Por quê?


Existe um corredor que isola a Prússia Oriental do resto da Alemanha.


Hitler dá a entender que sua honra não lhe permite deixar por mais tempo populações alemãs sob o domínio polonês.


A Polônia está decidida a se defender, mesmo só. Porque nesse corredor, a República polaca já havia construída várias coisas, dentre as quais, ferrovias e não queria perder isso.


O curioso é que a Polônia foi criada no ano de 1919, depois da Primeira Guerra e do Tratado de Versalhes. Por isso a encrenca em querer recuperar esse território vem desde o ano da criação do país.


A França e a Inglaterra já estavam fartas das promessas de Hitler e ofereceram garantias para Polônia, Romênia e à Grécia de proteção. Ou seja, se prepararam para guerra.


Tanto isso é verdade que a Grã-Bretanha adota a conscrição (serviços militares obrigatórios - conscrições são trabalhos requeridos por uma autoridade). Prova de determinação, mas não de eficácia.


França e Grã-Bretanha estão vários anos atrasadas em relação à Alemanha. Qual o plano deles então? Se aliar a URSS.


E lá vão nossos heróis para Moscou, conversar com Stalin quando, tandam, surpresa! Ele já tinha um pacto germano-soviético (Ribbentrop-Molotov).


O que diabos Stalin tá fazendo se aliando ao Hitler?


Talvez, primeiro: por causa do isolamento da Rússia na reunião de Munique, que decidiu o rumo de várias coisas relacionadas a Europa e principalmente a Tchecoslováquia.


Segundo: Stalin precisava ganhar tempo sem conflitos para construir melhor sua nação.


Terceiro: Um provável erro de Stalin: achava que a França era militarmente mais forte do que realmente era, daí para restabelecer o equilíbrio, aliou-se à Alemanha.


Esse acordo com eles previa uma não agressão entre esses países. 


Além de que a Alemanha e a Rússia dividiram a Polônia e partes de territórios próximos entre eles.


E a Rússia poderia declarar guerra à Finlândia.


A Finlândia declarou a independência da URSS em 1817, quando houve a revolução e se aproximou bastante da Alemanha. Ou seja, para os russos recuperarem a Finlândia novamente, precisavam da aceitação dos alemães para isso.


Muito bem, assim que a França e a Grã-Bretanha descobrem esse pacto secreto dos russos e alemães, eles percebem que a guerra é inevitável. Menos o Partido Comunista, que teimava em provar que se tratava de um gesto pacífico.


Foi no dia primeiro de Setembro de 1939 que a Alemanha invadiu a Polônia. Dois dias se passaram e a França e Grã-Bretanha declaram guerra.


Começou a Segunda Guerra Mundial, que vai durar até Abril 1945.

domingo, 4 de novembro de 2012

Origens da Segunda Guerra - Parte III

Chegou a vez da Tchecoslováquia.

Um país sólido. O único com instituições democráticas e que funcionavam corretamente;


Tinha uma economia ativa, uma burguesia numerosa, tradições democráticas, enfim, era um Estado próspero. Mas fraco...


Porque era multinacional: tinha duas nacionalidades majoritárias: os tchecos na Boêmia e os eslovacos. Além de várias minorias, dentre os quais 3 milhões de... alemães.


Isso vai chamar a atenção de Hitler.


Além disso, a Tchecoslováquia ocupava uma posição estratégica importantíssima - Bismarck dissera que "quem tivesse nas mãos o quadrilátero da Boêmia seria o senhor da Europa". 


Ela estava no coração do continente europeu. E mais do que isso, tinha uma posição diplomática decisiva, pois era aliada da França e da URSS.






Como que Hitler vai triunfar sobre eles?



Muito astuto, ele vai aproveitar essa minoria alemã e organizá-los num partido, com a intenção de desagregar a nação por dentro (afinal, ela é multinacional). E ele vai conseguir fazer isso, graças ao proselitismo.



A opinião pública ocidental está dividida sobre o que Hitler está planejando. Uns acham um abuso de poder, mas temem enfrentá-lo. Outros acreditam que ele só quer reunir todos os alemães e julgam-no sincero quando ele diz que depois de todos terem regressado a mãe-pátria, não terá mais reivindicações.



Ninguém toma partido. Afinal, até que ponto valerá a pena resistir por causa da Tchecoslováquia?

De maneira geral, duas inspirações pacifistas e opostas se conjugam:
1. O pacifismo de direita, ditado pela simpatia ideológica aos regimes autoritários.

2. O pacifismo de esquerda, socialista ou sindical, que considera a guerra o pior dos males e acha que a paz, seja qual for o seu preço, sempre vale mais que uma guerra.



A Grã-Bretanha tenta solucionar o caso, envia mendicadores que sugerem ao governo tcheco fazer concessões substanciais aos alemães e também conversa com Hitler, mas ele não para de  reivindicar coisas.



Tudo está indo de mal a pior, quando Mussolini se mete entre Hitler, a Grã-Bretanha e a França e propõe uma conferência entre os quatro, que vai acontecer em Munique, nos dias 29 e 30 de Setembro de 1938.



Mussolini, Hitler, Edouard Daladier e Arthur Neville Chamberlain



O interessante é que a Tchecoslováquia, a principal interessada, está ausente.


A União Soviética também está ausente e essa exclusão terá consequências pesadas na guerra, porque Stalin vai começar uma negociação secreta e direta com a Alemanha. Falamos disso depois.


Bom, nesse encontro a França e a Grã-Bretanha concedem a Hitler praticamente tudo o que ele pede.


Desmantela-se a Tchecoslováquia, Hitler toma parte do país e os alemães se reúnem ao Reich. A outra parte torna-se a Eslováquia, mas passa a ser governada por um fascista que apoia Hitler.


As democracias acabaram de perder um aliado na guerra. E outros aliados ficaram bem desanimados.


Todos chegam a conclusão de que vale mais a pena confabular diretamente com Hitler do que contar com a proteção aleatória das democracias incapazes de entender-se.


Munique foi o acontecimento mais importante desse período. Ele não pôs fim às incertezas da diplomacia ocidental, nem as divisões das opiniões públicas francesas e inglesas.


Alguns ministros se demitem, desaprovando a atitude de fraqueza. Outros aplaudem e dizem que Munique assegurou a paz por uma geração.


Hitler resolverá essa divisão seis meses depois, quando ele decide que no dia 15 de março de 1939 invadiria o resto da Tchecoslováquia, rasgando seus compromissos.


Temos uma grande Alemanha agora, constituída pela Alemanha, a Áustria, a Boêmia e a Morávia (que eram parte da Tchecoslováquia). Também a Eslováquia, que era fantoche da Alemanha.


No mês seguinte, Mussolini, com inveja das conquistas de Hitler, invade a Albânia.






Podemos considerar alguns fatores para ele ter escolhido a Albânia. Primeiro, a Itália já explorava os minerais que existiam por lá desde 1925, segundo alguns acordos.


Segundo, eles passaram a controlar a entrada do Mar Adriático.


Terceiro, agora tinham fronteiras com os balcãs... um ponto estratégico para guerra.


Bom, Hitler conseguiu muita coisa... mas já tinha outro país na mira.


domingo, 23 de setembro de 2012

Origens da 2º Guerra Mundial - Parte II


Guerra Espanhola

A guerra da Espanha, que começa em 18 de Julho de 1936, será um palco onde os blocos contrários, democracias e regimes autoritários, irão se defrontar.

No começo, tratava-se de uma tentativa de golpe de Estado militar. Acontece que em 1931 a Espanha havia deixado de ser uma monarquia e passou a ser uma república. Foi assim durante 5 anos perturbados (2 anos de governo da esquerda, 2 anos da direita), até 1936.

O que aconteceu? Em fevereiro daquele ano, houve eleições gerais que deram poder a Frente Popular. Um grupo de partidos de esquerda coligados.

Isso incomodou grandes proprietários, ricos, militares e a Igreja. Deixou todos eles alarmados.
Foi quando no dia 18 de Julho de 36 estourou uma sublevação militar, que fracassou parcialmente.

Qual era o plano? Dominar o governo em 24 horas. Não conseguiu.

- Os guardas civis permaneceram leal ao governo;

- A marinha permaneceu fiel também – eles eram muito importantes, porque defendiam o Estreito de Gibraltar. O que impedia de fazer com que os insurrectos transferissem do Marrocos Espanhol (sua colônia) para a Península Ibérica os  exércitos com que eles contavam;

- A Catalunha e as províncias bascas, gratas à república por lhes haver reconhecido a autonomia, colocam-se ao lado do governo de Madri.

Mas o governo não tinha exército. Armou-se então, o povo; milícias improvisadas, coisas do tipo. Ninguém teve uma vantagem decisiva nessa história e a operação, que devia durar no máximo 24 horas, durou 3 anos.

Ao longo desse período, os insurrectos conseguiram a ajuda dos governos autoritários. Surgem voluntários fascistas. A Alemanha manda especialistas, técnicos da guerra aérea e de carros de combate.

Enquanto do lado republicano ficam as brigadas internacionais e também chegam voluntários, vindos de todos os países da Europa.

A guerra dentro da Espanha se torna internacional.

A Espanha se torna o terreno em que os blocos realizam grandes manobras. A Alemanha experimenta seu material, exercita seus especialistas, e a Guerra da Espanha é um ensaio da Segunda Guerra Mundial: bombardeio de cidades, destruição de Guernica, terror sobre a população civil de Madri e Barcelona, quinta coluna (grupos “traidores”): já eram os traços do que seria a guerra mundial, só que essa era dentro da Espanha.


Pablo Picasso

Essa guerra civil só vai terminar em março de 1939, deixando um milhão de mortos. Os nacionalistas triunfam sobre os republicanos. E quem comandava esses nacionalistas? O General Franco, que passou a chefiá-los. Sua atuação e seu governo é chamado de franquismo.

A partir de então, a França se vê cercada. Três regimes autoritários são seus vizinhos.

A Espanha franquista, a Itália e a Alemanha, entre os quais há uma solidariedade de interesses, laços e gratidão.

A França então se sente forçada a encarar a possibilidade de um conflito em três fronteiras: o Reno, os Alpes e os Pireneus.

O bloco totalitário sai reforçado da Guerra da Espanha e as democracias, isoladas e enfraquecidas.

O Anschluss

Enquanto a guerra civil espanhola acontecia, Hitler estava retomando suas ofensivas. Já em 1938, ele tinha assegurado a amizade italiana, as democracias estão muito ocupadas (ajudando os republicanos da Espanha e se ajudando), e o rearmamento alemão já fazia grande progresso.

E os EUA? Eles estavam isolados na América, por opção. Foi votado no Congresso deles leis de neutralidade, que os proibia de estabelecerem relações comerciais com os países beligerantes (em conflito); os navios não iriam mais se arriscar, como em 1917. Hitler estava livre.

Por isso ele atacou a Áustria de novo! Em fevereiro de 1938, a Alemanha havia pressionado o Chanceler Schuschnigg (que sucedeu a Dolfuss, assassinado pelos nazistas) a colocar um nacional-socialista no Ministério do Interior, chamado Seiss-Inquart.

Ou seja, o chanceler teve que colocar um inimigo na praça. Hitler, para dar uma prova de boa vontade ao povo austríaco para preservar sua independência, anunciou um plebiscito para todos votarem a favor ou contra a unificação com a Alemanha. 2/3 votou a favor.

Hitler queria mostrar pra Europa que o povo alemão estava com ele.

O ministro, então, chama as tropas alemãs para restabelecer a ordem pretensamente perturbada pelo chanceler. O governo Schuschnigg não podia fazer nada além de se demitir. Foi a invasão alemã, então. Em algumas horas, no sábado, 12 de março de 38, a Áustria é anexada à Alemanha.

A Europa não reagiu. A Inglaterra hesita. A França passava por uma crise ministerial. A Itália, que antes fez uma contraofensiva e não permitiu Hitler tomar a Áustria, agora se tornou cúmplice.

Hitler não parou por aí... era a vez da Tchecoslováquia.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Origens da 2º Guerra Mundial - Parte I


Entre 1919 – 1930

Configuração diplomática opõe dois campos:
Vencedores -> Potências empenhadas em aplicar as cláusulas do tratado de Versalhes. França está a frente.
Perdedores -> Revisionistas das cláusulas. Alemanha a frente.

Duas questões dominavam a conjuntura internacional.
1º Até 1928, a questão das reparações de guerra.
2º A partir de 1928, a questão do desarmamento -> Os países vencedores queriam diminuir o número de armas na Europa, principalmente dos países que perderam a guerra.

Em 1933, a Alemanha decide se retirar desse tipo de acordo, proposto pela Sociedade das Nações. Pretendem se armar. Por quê?

Porque em 1933 Hitler já era chanceler da Alemanha.

Calma.

A crise econômica também foi a crise da democracia, porque permitiu o surgimento de regimes autoritários. Como?

As consequências da crise fez com que os países se concentrassem no interior de si mesmos, num movimento oposto ao liberalismo econômico dos EUA (onde começou a crise).

Cada país ficou atrás de suas fronteiras econômicas, aumentou as tarifas alfandegárias e praticaram uma política rigorosa de separação.

As relações comerciais se rarefazem.

O nacionalismo econômico aparece e reforça o nacionalismo político e militar.

Essa inspiração nacionalista forma Estados de Guerra, feitos para ela.

Foi nesse nacionalismo e com essa ambição coletiva (de serem melhores, de se safarem da crise, de mostrarem pro mundo o quão são eficazes) que ganhou força o Nacional-Socialismo.

No dia 30 de janeiro de 1933, o Presidente Hindemburgo fez de Adolf Hitler um chanceler.

Isso é interessante. Hitler chegou ao pode pelas vias legais: não houve golpe de força nem na Alemanha, nem na Itália fascista de Mussolini. Lá, foi o Rei que deu o cargo para ele.

Então, pelo menos nas aparências, o fascismo e o nacional-socialismo respeitaram as legalidades constitucionais de cada país.

Hitler conquistou a maioria no Reichstag (parlamento). E aí, ele empreende uma transformação do sistema: dissolução de partidos políticos, de sindicatos, supressão das liberdades.

E daí ele põe fogo no Reichtag. E culpa os comunistas! Com isso ele cria um pretexto para que as pessoas tenham medo dos comunistas e para ele criar uma polícia especial para tomar conta da população. Vigiá-la.

Ele faz coisas boas também. Transforma a sociedade e a economia. Executa uns programas de governo para construir grandes obras públicas, dá trabalho aos desempregados e precipita o rearmamento, pulando fora do tratado que impedia isso, em 33.

Ele sair desse tratado tem um significado muito grande, porque indica o “fim da política fundada na assinatura e no respeito de acordos diplomáticos”.

Aí, em 1935, ele tá construindo aviões de guerra e restabelece o serviço militar obrigatório. Ao mesmo tempo que começa a ignorar as cláusulas militares do Tratado de Versalhes.

A Alemanha alcança e ultrapassa os franceses na quantidade de armas. A França não quer ficar atrás e começa a produzir também, adota o serviço militar e etc. Temos novamente uma corrida armamentista na Europa.

Só que o Estado alemão, quase uma máquina de guerra (espírito de guerra, armas para guerra, discursos explosivos) pretende conquistar e aumentar seu território... e isso vai culminar na invasão da Alemanha sobre outros países, em 1939.

Calma!

Por que Hitler pretende conquistar novos territórios?

Porque ele quer reunir as minorias de mesma língua e mesma raça, saídas da Alemanha “sob imposição a vontade alheia” e que vivem em territórios diferentes e são dominadas por estrangeiros.

Acontece que isso que o Hitler quer ameaça todos os Estados vizinhos que compreendem essas minorias, como a Áustria, a Tchecoslováquia, a Polônia e até a França, por causa da Alsácia, que eles pegaram quando venceram a primeira guerra.

Como ele pega cada um desses lugares?

Na Áustria havia grupos de pessoas que apoiavam o nacional-socialismo. Radicais, em julho de 1934 eles assassinaram o Chanceler Dollfuss.

Esse chanceler era odiado tanto pelos socialistas, que ele atacou com o exército, quanto pelos nazistas, que queriam anexar a Áustria. Então ele não tinha muito apoio interno e foi alvo fácil.

Mas Mussolini não permitiu que a anexação do território acontecesse e enviou seu exército pra lá. Adiaram os planos nazistas.

Mas em 1935, um ano depois, eles conseguiram parte do território austríaco de maneira legal, prevista no Tratado de Versalhes. Acontece que a própria região que quis voltar a fazer parte da Alemanha por meio de votação.

Os nazistas vão montar em cima desses “direito dos povos” de escolher quem seguir ao longo dos próximos anos.

Mas veja você, se em 1934 Mussolino não ajudava Hitler em nada. Em 1935 a coisa toda vai mudar.
Mussolini pretendia dominar territórios na África. É, ainda falando de colonialismo no estilo mais clássico mesmo.

A Itália já mandava na Eritréia e na Somália italiana. Esses dois territórios eram separados por Jibuti, da França, e a Somália britânica e principalmente pelo império da Etiópia.

Desses três que separaram o território dos italianos, a Etiópia era o único país que não fora colonizado pelos europeus (dentro da África, apenas dois, o outro era a Libéria). Ou seja, “tava livre” para ser dominado.

Mas a Etiópia já era considerada um Estado. Era membro da Sociedade das Nações, que proibia guerra entre seus membros.



A Grã Bretanha não gosta nada disso e vai contra os italianos. A França, apesar de tentar fazer uma mediação, acaba apoiando mais a Inglaterra também, e isso tudo irrita o Mussolini, que decide invadir a Etiópia assim mesmo!

Daí os países começam aplicar sanções a Itália, mas ela resiste, porque sua principal fonte era o petróleo e nenhum país dos cinquenta e dois tiveram coragem de aplicar sanções a esse recurso.

Eles tomaram a Etiópia e, além disso, tornaram-se amigos dos alemães, que não se opuseram as atitudes de Mussolini. 

Em outras palavras, isso significou que a Alemanha saiu de seu isolamento político, já que a Itália se colocou ao seu lado.

Aí a Alemanha se sente muito mais confortável para agir e em 7 de março de 1936, Hitler reocupa a margem esquerda do Reno, que era da Alemanha, mas estava sob domínio francês.

Isso enfurece a França e os preocupam. Eles se sentem atacados e decidem reagir... até que percebem que não podem, porque os riscos são muito grandes para sua economia.

Aí seus aliados veem que a França não é tão poderosa assim e perdem a confiança neles, visto que ter a "proteção do Estado francês" não significava muita coisa".

Resultado: Bélgica volta a ser neutra. Polônia começa a se preparar para se defender. A Sociedade das Nações - que era liderada pelos franceses - começa a se desfazer: Alemanha saiu em 1933, Japão também, Itália em 1937.

É o fim da segurança coletiva.

A situação diplomática passa a ser dominada pela existência do Eixo.

Assim chamada porque a linha que liga Berlim a Roma traça um eixo vertical que divide o Leste do Oeste na Europa.

É quando a coisa começa a ficar feia e alguns confrontos começam a acontecer.

domingo, 19 de agosto de 2012

Crise de 1929

Terminada a Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos se transformaram no dínamo do capitalismo mundial:

de maior devedor (3 bilhões de dólares) o país passou à invejável posição de maior credor mundial (11 bilhões de dólares).

Mais que isso, os EUA produziam mais de um terço da produção industrial mundial e, em 1929, passaram a mais de 42% da produção mundial total.

Muita gente imigrava pra lá! Muita mesmo!

Mas esse tempo incrível, de riqueza, maravilhoso, gerou algumas contradições fulminantes que vão culminar no surgimento de governos ditatoriais, como foi o de Hitler, na Alemanha.

Antecedentes da Crise

Nos EUA, quem governava há vários anos era o Partido Republicano, defensores do isolacionismo e do liberalismo econômico.

Que isso?

O isolacionismo amparava-se na Doutrina Monroe - "A América para os americanos" - e, consequentemente, desdobrava-se em "a Europa para os europeus". 

Depois da guerra os europeus se organizaram para se erguerem novamente e os EUA não participaram do assunto, da Liga das Nações, por escolha própria. Por conta dessa doutrina.

Essa Liga das Nações não vai dar certo e vai culminar na edificação dos Estados totalitários nazi-fascistas.

Enquanto isso, na outra ponta do isolacionismo, os Estados Unidos baixaram diversas leis restringindo a entrada de estrangeiros no país.

Já o liberalismo tem a ver com o Estado não se intrometer na economia, não impor taxas e coisa do tipo. Deixar que tudo siga "naturalmente".

A lógica é a seguinte: 
o comércio livre (sem taxas) fazia o mercado expandir-se (para vários lugares);
com a expansão do mercado, aumentava a divisão do trabalho (especialidades para produção);
que por sua vez levava ao aumento da produtividade (produção mais rápida) e,
consequentemente, ao aumento da produção (mais produtos).
Resultado final: mais riquezas.

Nada disso vai dar certo. Vamos entender.

Contradições do Capitalismo

A Europa estava destruída e precisava se reconstruir.

O sistema capitalista está totalmente voltado para o lucro crescente.

O capitalista depende da venda da produção que lhe proporciona esse lucro.

Assim, a circulação das mercadorias (as vendas) faz o capital investido na produção dessas mercadorias retornar novamente às mãos do capitalista acrescido de lucro.

Como isso acontece?

O capital divide-se em duas partes:
1. Capital variável, investido na compra da força de trabalho através do pagamento de salários.
2. Capital constante, investido na compra de máquinas, equipamentos, matéria-primas.

O capitalista sempre vai querer produzir mais para lucrar mais, então aplica a maior parte de seu capital na compra de equipamentos melhores para isso, ou seja, no capital constante.

Quanto mais moderna são as máquinas, mais trabalhadores ele pode dispensar.

Ou seja: a aplicação no capital variável tende a diminuir na medida em que o capitalista investe no capital constante.

Atenção: O lucro do capitalista está na diferença entre o que o trabalhador recebe de salários e o valor da mercadoria que ele produz.

O lucro é gerado no capital variável, porque é a partir daí que se transferem valor ao produto;
máquinas e equipamentos não transferem valor ao produto.

Se funciona desse jeito, temos uma contradição: sempre haverá uma tendência para queda da taxa de lucros do capitalista.

VEJA: Se é preciso produzir incessantemente e despejar no mercado quantidades cada vez maiores de mercadoria, o tamanho do mercado deve acompanhar esse ritmo na mesma proporção.

Isso não acontece, porque o número de desempregado é cada vez maior.

Chega um momento que o capitalista não consegue vender seu produto com o mesmo lucro. Que passa a reduzir investimentos e dispensar mão-de-obra.

Vamos ver como isso aconteceu nos EUA

Os Estados Unidos seguiam os moldes liberais. Havia grandes capitalistas e empresas gigantescas, aliadas aos bancos.

Para diminuir os custos da produção e o aumento delas, essas empresas investiram pesado em tecnologia. Produzia-se mais, com menos. 

Isso significou também a demissão de trabalhadores, que não poderiam comprar mais nada.

Aí houve uma concentração de renda (muita gente pobre e pouca gente rica), mas não adiantava o capitalista investir mais em sua produção, porque esta já estava em excesso.

Aí o capital era empregado em mera especulação, afastando-se da realidade econômica. (As pessoas achavam que a empresa estava lucrando muito e crescendo, quando na verdade ela estava lucrando, mas não crescia nem produzia nada além do que já produzia, porque não tinha como investir mais).

Ou seja, a Bolsa de Valores tornou-se o lugar para esse jogo especulativo: da noite para o dia grandes lucros eram incorporados sem passarem pelo processo de produção.

VEJA: Os EUA estava investindo na Europa, que estava arruinada. Eles emprestavam dinheiro aos europeus para que eles comprassem produtos, com dólar americano, das próprias indústrias americanas.

Ou seja, o EUA enriquecia muito com a grana da Europa no plano externo.

No plano interno, os trabalhadores consumiam cada vez menos, porque estavam ficando desempregados, mas os bancos criaram a vendas a crédito. Ou seja, comprar coisas sem dinheiro!

Isso tudo deu muita ilusão de prosperidade aos americanos. Mas aí o bicho vai pegar.

A partir de 1925, a Europa já tava praticamente reconstruída. Suas casas, empresas, bancos, etc. Retomaram a produção e passaram a necessitar menos do EUA.

Enquanto no próprio EUA, o poder de compra dos trabalhadores, que era mascarado pelo crédito, continuava comprometido.

Acontece que os empresários continuavam a produzir mais e mais produtos, o que levou à queda de preços. Muitos produtos, poucos compradores.

Os estoques se acumularam. Os créditos se expandiram, mas ninguém tinha dinheiro. A especulação na Bolsa de Valores não correspondia a realidade: achava-se que as empresas estavam crescendo, quando na verdade não estavam nem lucrando mais (já que pararam de vender).

Aí aconteceu o Crash da Bolsa - 25 de outubro de 1929.

Quando as pessoas perceberam o que aquilo estava se tornando, decidiram vender suas ações, todos juntos, desesperados. Consequência? Elas perderam o valor.

Todo o estoque das empresas caíram para preços irrisórios, já que ninguém tinha grana pra comprar nada.

Como elas compravam? Com créditos do banco, mas eles tiveram que suspender esse crédito... afinal, as pessoas não teriam dinheiro para pagar essas dívidas também.

A solução que as empresas e os governos encontraram para o momento era destruir a produção: nos EUA milhares de carros novos terminaram transformados em sucata; na França, o trigo foi inutilizado e no Brasil o governo de Getúlio Vargas comprava o café e queimava.

A parte curiosa e singular: trava-se de uma crise de abundância, não de escassez. Por isso levou a queda de preços dos produtos.

As empresas tinham que se policiar e produzir menos, ou seja, precisavam de menos trabalhadores. Mais eram demitidos.

Quanto mais trabalhadores eram demitidos, menos haviam pessoas comprando coisas, afinal, não tinha salários.

Então diminuía-se mais a atividade produtiva; demitia-se mais; diminuía-se mais, demitia-se mais. Entrou-se no "ciclo infernal" da crise.

Em 1930, haviam 3 milhões de desempregados; dois anos depois haviam 11 milhões.

Como o governo dos EUA (presidente Hoover) era liberal, para ele "a crise era passageira" e não fez nada muito efetivo para pará-la. Isso fez com que essa crise se espalhasse para outros países.

Só um país se safou dessa crise. Adivinha? URSS.




terça-feira, 3 de julho de 2012

Revolução Russa - Final


A teoria e a prática revolucionária


 Como vimos, havia três projetos alternativos para a constituição de uma nova sociedade, uma vez destruídos o Estado czarista e o sistema econômico e social que ele representava. Desses projetos, o vitorioso foi o da ala bolchevique. Essa ala passou a chamar-se Partido Bolchevique e logo se transformaria no futuro Partido Comunista da União Soviética.


Todas as outras correntes políticas, a curto ou a médio prazo, foram derrotadas: liberais, socialistas revolucionários, mencheviques, anarquistas, monarquistas. Assim, esse partido dirigiu a União Soviética, Estado que surgiu com a Revolução Russa, durante toda a sua existência, ou seja, por cerca de setenta anos.


O marxismo foi a teoria que orientou a ação revolucionária dos bolcheviques e a posterior construção do Estado Soviético. Marx, como vimos, via no operariado a classe revolucionária. Essa classe, organizada politicamente, derrubaria o Estado capitalista que representava o domínio da burguesia e assumiria o poder.
Que Estado seria esse com a classe operária no poder? Seria o poder operário na forma de uma ditadura. Essa ditadura do proletariado perduraria até a construção de uma sociedade verdadeiramente comunista. Ela seria sociedade igualitária na qual cada um dos seus membros usufruiria dos bens sociais de acordo com as suas necessidades.
Essa sociedade, segundo as idéias básicas do marxismo, seria possível devido ao enorme desenvolvimento das forças produtivas promovidas pelo capitalismo. Assim, a sociedade socialista incorporaria e superaria o progresso capitalista.
Na concepção marxista clássica, o Estado seria sempre a expressão da dominação de classe. A superação da sociedade de classe, uma vez destruída a burguesia, levaria, então, a uma lenta diminuição do poder do Estado, até a sua extinção.


Em Julho de 1917, Lênin, o mais destacado líder da Revolução Russa e o principal organizador do Estado Soviético, começou a escrever um dos mais famosos dos seus livros, O Estado e a revolução.


Nele, afirmava que o proletariado precisava de ...um Estado em processo de agonia, isto é, constituído de tal modo que começará imediatamente a morrer, e não poderá deixar de morrer. O Estado, dizia Lenin, era incompatível com a sociedade sem classes. Para não deixar dúvidas, concluía: Enquanto o Estado existir, não há liberdade. Quando existir a liberdade, não haverá Estado.


Todavia, o Estado proletário que ele ajudou a criar, não começou imediatamente a morrer, ao contrário, foi se tornando cada vez mais forte, absorvente e poderoso.


Um outro ponto da teoria marxista se refere ao poder da burguesia sobre o proletariado, baseado na propriedade privada dos meios de produção.

A acumulação capitalista significou também a proletarização do trabalhador, o qual perdeu o acesso a terra, os instrumentos de produção e, com a mecanização e a divisão social do trabalho, até a capacidade técnica.

Essa seria a principal razão da sua alienação. Dessa forma, a libertação do trabalhador da dominação passaria pelo retorno do seu controle sobre os meios de produção.

Também não foi o que ocorreu na União Soviética. Desde o início se estabeleceu uma administração rígida da produção nas fábricas, valorizando-se os técnicos, os administradores e os especialistas, adotando-se a mesma racionalidade da organização científica da produção que prevalecia nos países capitalistas avançados, mas sem eficiência que prevaleceu na produção capitalista.  

 

A Guerra Civil e o comunismo de guerra



Os revolucionários tiveram que enfrentar uma longa guerra civil para conseguirem se firmar no poder.


Porque...
Com apoio externo, os grupos sociais ligados ao antigo regime czarista organizaram o chamado Exército Branco para tentar deter o processo revolucionário.


Como os bolcheviques enfrentaram isso?
Um cara chamado Trotsky, se encarregou de combater os rebeldes e organizou o que ficou conhecido como Exército Vermelho.


Essa guerra se estendeu da Primavera de 1918 ao Outono de 1920.

Vermelhos (Bolcheviques + sovietes + camponeses)
Brancos (mencheviques + latifundiários + Igreja Ortodoxa + czaristas + potências estrangeiras)


Para fazer frente a essa situação crítica provocada pela guerra civil, o governo assumiu total controle sobre a economia. Claro, a guerra não podia fazer a Rússia parar.


Assim, o operário das fábricas começaram a sofrer algumas coerções. Trabalhar de maneira forçosa. Lá se ia a esperança de que as coerções revolucionárias só atingiriam latifundiários e a  burguesia.


Afinal, o trabalhador não se libertou da exploração pois ele estava sujeito a duras regras disciplinares impostas pelo o que se chamou de “disciplina voluntária”.

Os próprios trabalhadores tentaram se organizar em comissões eleitas por eles mesmos para administrarem a produção, mas isso não foi implantado devido as “exigências do comunismo de guerra”.

O “Comunismo de guerra” é muito interessante, porque ele era caracterizado pela centralização da produção (estatização de fábricas que ainda não havia sido coletivizadas ou que estavam apenas sob controle operário e/ou requisição forçada de víveres agrícolas e matérias primas) e pela eliminação da economia de mercado.

O que é a economia de mercado? Por exemplo: O confisco da produção agrícola rural anulou os procedimentos de compra e venda de produtos, fazendo até desaparecer o uso de moedas (distribuíam tíquetes e talões de racionamento).

Essa política durou até o final da Guerra Civil, para finalmente aplicarem um novo plano: o da Nova Política Econômica (NEP – derivado do russo) da Rússia, que reintroduzia algumas práticas capitalistas para tentar melhorar a economia russa. Diziam que era preciso dar “um passo atrás para se poder dar dois a frente”.


O NEP se baseava no seguinte: liberdade de comércio interno, liberdade de salário aos trabalhadores, autorização para funcionamento de empresas particulares e permissão de entrada de capitais estrangeiros para reconstrução do país. Isso tudo relevava o desespero da União Soviética, que permitiu que a igualdade cedesse lugar à concorrência.


E aí, depois de avanços e recuos, dúvidas e vacilações e muita divergência interna, o que acabou prevalecendo foi a ditadura, mas não do proletariado, e sim do partido. O controle da produção, não pelos trabalhadores, mas por técnicos e comissários do Estado e do partido, que cada vez mais se confundiam um com o outro.


Lutas internas

A luta interna sempre existiu no partido. A mais decisiva foi a entre Stalin e Trotsky, dois líderes que tiveram participação decisiva na Revolução Russa. Na verdade, a maioria dos líderes que fizeram parte do primeiro governo revolucionário liderado por Lênin, entre 1917 e 1923, acabaram sendo fuzilados pelo próprio Estado Soviético, principalmente na década de 1930, como veremos mais adiante, quando falarmos do governo de Stálin.

            Com a morte de Lênin, em 1924, o poder soviético foi disputado por Leon Trótski, chefe do exército vermelho, e Josef Stálin, secretário-geral do Partido Comunista (nome usado pelo partido bolchevique). Eles não concordavam um com o outro e isso gerou alguns problemas.
           
Resumidamente, eles discordavam nos seguintes pontos: Tróstki defendia a “revolução permanente” – desejava que o socialismo fosse difundido pelo mundo para que todos aderissem.
Já Stálin, ao contrário, pregava a consolidação da revolução na Rússia. Queria um Estado estruturado e forte – o socialismo num só país, para só então tentar expandir a revolução para Europa.

Stálin saiu vitoriosos nos anos seguintes e acabou matando Trótski. Como eu disse, veremos isso mais pra frente.


O que ficou para nós sobre a Revolução Russa

Retomando então, em 1918 foi elaborada uma constituição que criava a República Soviética Socialista Russa e, em 1923, outra, que instituía a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), resultado da união de várias repúblicas federativas e socialistas, ou antigas regiões do império russo.

E apesar de todo esse processo, com guerras, políticas e dificuldades, o país se industrializou e se tornou uma grande potência militar, científica, esportiva etc. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a participação da União Soviética foi decisiva para a derrota da Alemanha Nazista, por exemplo.

Assim, a discussão sobre o sentido da Revolução Russa e o da sociedade que ela implantou não está esgotada:

 Para os defensores do capitalismo, o socialismo, tanto o teórico como o que foi colocado em prática, é incompatível com a democracia e a liberdade.

Os que acham possível uma sociedade socialista tentam aprender com a Revolução Russa as lições históricas que ela é capaz de ensinar. Uma crítica comum atualmente é que ela não foi capaz de superar a forma capitalista de produção, implantando, não o socialismo, mas um capitalismo de Estado, dirigido por uma burocracia e garantido por um sistema repressivo.    

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Revolução Russa - Parte IV (Revolução de 1917)



 
Em 1914 começou a Primeira Guerra Mundial, que se estenderia até o final de 1918. Dela participaram as grandes potências da época. O principal palco da guerra foi a Europa.


O Império Russo participou da guerra ao lado da Inglaterra e da França, formando a Tríplice Entente, que enfrentou a Tríplice Aliança (Alemanha, Austro-Hungria e a Turquia). Outros países, menos importantes do ponto de vista militar, se aliaram a um ou a outro lado na guerra.


Em 1917, os Estados Unidos entraram na guerra do lado da Entente, sendo um fator importante para a derrota da Alemanha e seus aliados.


O Império Russo enfrentou, principalmente, as tropas alemãs, sentindo desde o início da guerra o poderio militar germânico e sofrendo sucessivas derrotas.

 O que já se prenunciava na guerra contra o Japão em 1905, se confirmou na Primeira Guerra Mundial:
o Império Russo, um país imenso, era um gigante com pés de barro. Um país atrasado enfrentando uma guerra moderna.

O exército czarista, apesar de enorme, estava mal equipado. À medida que a guerra se prolongava, a atrasada economia russa e a complicada burocracia czarista se mostraram incapazes de garantir o fornecimento regular e suficiente para o exército.

Em 1917, a Rússia entrou em colapso. A população urbana não recebia alimentos suficientes do campo e os soldados se revoltavam contra os oficiais e abandonavam o front.

Camponeses se recusavam a vender os seus produtos e a pagar os tributos. Greves e manifestações na cidade e invasões de latifúndios no campo.

 Os soldados do czar não mais reprimiam as manifestações dos revoltosos, chegando mesmo a aderir à massa revoltosa.

Neste momento decisivo, os líderes políticos que haviam sido banidos ou fugido para o exterior, começaram a voltar ao país. Os partidos políticos tentaram organizar a revolta popular para a tomada do poder.


Esses líderes pertenciam, na sua maioria, a dois partidos mais radicais. O primeiro deles era o Partido Marxista Social-Democrata dos Trabalhadores Russos que estava dividido em duas facções: os mencheviques e bolcheviques.

As facções receberam esses nomes depois do II Congresso do Partido Social-Democrata, em 1903.


Menchevique em russo significa minoria, mas na verdade, compunham a maioria do partido durante quase todo o período revolucionário no ano de 1917.
Era o grupo que pregava o amadurecimento do capitalismo, para só então almejar o socialismo. Defendiam a revolução burguesa contra o czarismo. Os líderes que se destacaram foram Gheorghi Plekhanov e principalmente Iulii Martov;




Bolchevique, significa maioria e o nome foi dado no mesmo congresso do Partido em que nasceu o grupo menchevique. Ironicamente, durante o processo revolucionário de 1917 esse grupo ficou em minoria. Eles eram aqueles que defendiam a revolução socialista e o líder desse grupo se chamava Lênin.


O segundo grande partido era o Partido Social Revolucionário, que pretendia representar os camponeses russos.


Nesse momento, o número de sovietes havia multiplicado, constituindo-se no principal instrumento da ação revolucionária.


A própria burguesia liberal, temerosa de um enfrentamento direto com o czar, acabou assumindo uma posição cautelosa.


A Duma (parlamento) refletia essa posição cautelosa. Ela tentou assumir a direção do movimento revolucionário e, ao mesmo tempo, controlar os protestos populares.


A Duma foi tomando providências para organizar um governo provisório, já que o czar havia perdido o controle da situação e a capacidade de reprimir.


Sem outra alternativa, o czar Nicolau II abdicou em favor do seu irmão, o qual também abdicou no dia seguinte. Assim, no dia 27 de fevereiro de 1917, chegava ao fim a secular monarquia czarista da dinastia dos Romanov.


 O poder de um Estado autocrático, que poucos anos antes ainda se mostrava forte, revelou o quanto estava decadente na crise provocada pela guerra.


A formação de um novo Estado

Os sovietes renasceram e passaram a exercer funções de governo que atendiam as reivindicações populares.


 Do outro lado, a Duma tentava formar um Governo Provisório de características liberais, ligado aos interesses da burguesia e da nobreza liberal russas.


Esse novo regime pretendia organizar a Rússia sob um sistema republicano parlamentar, tendo como modelo os regimes francês e inglês.


 Esse governo era liderado por Kerensky, um político moderado de tendências liberais.


Mas Kerensky não era aceito pelas massas porque que ele manteve a Rússia na guerra. Os soldados queriam voltar para casa e parar com a guerra inútil. E por isso, o Governo Provisório foi se enfraquecendo rapidamente.


Dizia-se que na Rússia tinham dois governos: o Provisório e o dos sovietes.


Quando o Partido Marxista Social-Democrata decidiu apoiar o Governo Provisório, houve uma divisão radical entre os mencheviques e bolcheviques.


Os bolcheviques romperam com os mencheviques e retiraram o seu apoio ao Governo Provisório, passando a fazer oposição a ele.


Os bolcheviques concentraram suas forças políticas nos sovietes, passando a elaborar um plano para conquistar o poder.


O lema dos bolcheviques para a mobilização popular contra o Governo Provisório era Paz, Pão e Terra. Ou seja, a saída imediata da Rússia da guerra, superar a fome e distribuir as grandes propriedades.


Os operários organizados nos sovietes começaram a se armar, sendo dirigidos pela Guarda Vermelha, que eram tropas formadas por operários, camponeses e soldados.


No dia 25 de Outubro foi desfechada a ação, com os guardas vermelhos assumindo o controle dos pontos estratégicos da capital.


Kerenski, o chefe do Governo Provisório, fugiu e os bolcheviques assumiram o poder. Começava a construção de um novo Estado.         

domingo, 27 de maio de 2012

Revolução Russa - Parte III


(A Revolução fracassada de 1905. Um “ensaio geral”)

Em 1905, a Rússia foi derrotada pelo Japão em uma guerra pela disputa da Manchúria região do nordeste da China.


O descontentamento social, no campo e na cidade, somou-se à decepção com a derrota militar. Estava criado o clima para a revolta.

Em janeiro de 1905, foi feita uma petição ao czar em nome dos trabalhadores do campo e da cidade. Por sugestão de membros do Partido Social Revolucionário, foram incluídos no documento exigências bastante radicais:
liberdade de imprensa e de associação sindical,
direito de greve,
expropriação dos latifúndios,
convocação de uma Assembléia Constituinte,
ensino público gratuito e obrigatório,
jornada de trabalho de oito horas.

No dia 9 de janeiro milhares de operários e suas famílias se dirigiam ao Palácio de Inverno do czar, quando foram metralhados. Mais de mil mortos! Foi o denominado Domingo Vermelho ou Domingo Sangrento.

No dia seguinte teve início uma greve geral. Foi quando se criou em São Petersburgo o primeiro soviete, que eram uma forma de comissão ou de conselho de  operários, camponeses e soldados que funcionava para uma ajuda mútua entre os trabalhadores durante a greve.

Logo surgiram sovietes em outras cidades e regiões do país. Essa forma de organização, como veremos, foi muito importante no processo revolucionário.

A repressão czarista foi dura, conseguindo esfriar a luta revolucionária, mas quando chegou a notícia da derrota definitiva na guerra contra o Japão, o movimento ganhou nova força. A revolta atingiu o exército e a marinha, com grupos de soldados aderindo aos revoltosos.

Todo o ano de 1905 foi marcado por greves, protestos e revoltas.

No final do ano, depois de um endurecimento da repressão policial e da censura, com a prisão em massa de opositores e fechamento de sovietes, uma revolta armada de operários foi violentamente esmagada em Moscou.

A revolução estava derrotada.

Todavia, o czar cumpriu a promessa feita durante a revolta e permitiu o funcionamento de um Parlamento (a Duma) que era rigidamente vigiado pelo governo autocrático. O Parlamento pouco pode fazer para influenciar o governo czarista. Ao mesmo tempo, a repressão continuava implacável com os opositores.

A Revolução de 1905 foi depois denominada de “ensaio geral” para a Revolução de 1917, a que destruiria finalmente o regime czarista. De fato ela serviu de experiência para os revolucionários.

Ficou claro o caráter misto da Revolução de 1905.

Ela foi uma revolta liberal burguesa contra o regime autoritário.
Foi também uma reação violenta do operariado ao Domingo Sangrento, aos baixos salários e às demissões arbitrárias dos que ousavam reivindicar melhorias.
Foi também uma revolta dos camponeses, desesperada e violenta.

A fraqueza do movimento revolucionário foi, principalmente, o fato dessas três tendências da Revolução não estarem combinadas e articuladas entre si.