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domingo, 29 de julho de 2012

A Revolução Francesa


A nobreza confiava no controle do Parlamento. Porque funcionava da seguinte maneira: cada estado valia um voto (clero, um voto; nobreza, um voto; e povo, um voto). Nobreza e clero comungavam os mesmos interesses, daí essa confiança.



Mas ela não contava com o potencial revolucionário da população (terceiro estado), que eram em muito maior número e quando a sessão dos Estados Gerais no palácio de Versalhes se abriu, os interesses antagônicos dos grupos se chocaram!





Os representantes do Terceiro Estado queriam que valesse votação individual.



Luís XVI viu que daí não sairia nada de bom e resolveu dissolver o encontro, impedindo a entrada dos deputados no salão de sessões.






As pessoas do Terceiro Estado se rebelaram, invadiram partes do castelo e fizeram juramentos de que seus membros não sairiam de lá enquanto a França não tivesse uma constituição!



Pouco tempo depois, as pessoas, os deputados e parte do baixo clero, declararam-se em Assembleia Nacional Constituinte. Com a proposta de elaborarem um livro de leis mesmo que a força - para isso, usariam armas!



Luís XVI reuniu suas forças para enfrentar a Assembleia, mas eles se prepararam para o confronto. Haviam criado a Guarda Nacional – uma milícia burguesa para resistir ao rei.



Foi quando finalmente, no dia 14 de Julho de 1979 uma multidão de pessoas invadiu o Arsenal dos Inválidos à procura de munições e, em seguida, a fortaleza da Bastilha, onde eram encarcerados os inimigos da realiza.






“Em tempos de revolução nada é mais poderoso do que a queda de símbolos. A queda da Bastilha, que fez do dia 14 de Julho a festa nacional francesa, ratificou a queda do despotismo e foi saudada em todo o mundo como o princípio de libertação”.
Hobsbwm, Eric. J. A era das revoluções. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977. P. 79



A partir daí a rebelião se alastrou de Paris para o resto da França.



No campo, onde os privilégios da aristocracia eram mais gritantes, os camponeses chegaram a invadir e incendiar castelos e a massacrar elementos da nobreza. Esse movimento rural ficou conhecido como Grande Medo.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Causas para Revolução Francesa


Principais causas da Revolução

O absolutismo de Luís XVI (1774-1792) era baseado na teoria do direito divino dos reis: governava sem nenhum empecilho à sua autoridade.



As finanças do Estado confundiam-se com as do rei, com a desordem administrativa, os gastos monumentais com a manutenção da luxuosa corte de Versalhes e os enormes custos das diversas guerras dos Bourbons levaram a França a uma insolúvel crise financeira.



Quais guerras? A famosa Guerra dos Sete Anos (1756-1763) – que a França e a Inglaterra travaram, disputando o território norte-americano, em que a França perdeu - e a da Independência dos Estados Unidos (1776-1781) – em que a França, que perdeu, se vingou da Inglaterra ajudando as pessoas dos Estados Unidos se tornarem independentes.



Com esses problemas, o Estado impunha tributos, adotava medidas fiscais e comerciais, e buscava receita orçamentária em tudo, prejudicando os negócios dos grupos capitalistas da França – os burgueses.



Em meio a esse quadro, em 1786 a França estava desesperada e acabou assinando com a Inglaterra um tratado. Nesse tratado, a França poderia vender todo vinho que tinha pra Inglaterra pagando baixíssimas taxas alfandegárias... mas a Inglaterra poderia fazer o mesmo, vendendo tecidos para França.



Isso enfureceu os ânimos dos burgueses que cuidavam de indústrias manufatureiras, porque agora teriam que competir com o mercado externo. Perdiam lucros. Fora os impostos, proibições e regulamentos do Estado absoluto, que atrapalhava a ascensão economia da burguesia.



Embora o papel econômico da burguesia fosse essencial para o Estado, ela não tinha influencia política e era marginalizada socialmente.



A sociedade francesa desse período era estamental. Dividida em camadas.
Dizemos que havia o primeiro, o segundo e o terceiro estado.
No terceiro estava o povo, que sustentava as outras duas camadas com tributos. Eram os burgueses (banqueiros, industriais, comerciantes, profissionais liberais, funcionários públicos ou mesmo pequenos comerciantes); camadas populares (artesãos, operários, camponeses, servos, etc). A maioria da população fazia parte do terceiro estado – mais ou menos 25 milhões de pessoas.



O segundo estado era composto pela nobreza, que tinham vários privilégios judiciários e fiscais. Havia a nobreza de sangue, composta por nobres de origem feudal, aristocrática e a nobreza de toga, que era composta por pessoas que obtiveram o título de nobreza por compra ou mérito.



Já no primeiro estado estava o clero, dividido em alto clero (os cardeais, bispos, arcebispos, todos de origem nobre) e o baixo clero (padres, frades, de origem pobre). Estavam isentos de qualquer tributação.



Essa situação estamental era denunciada pelos filósofos iluministas, os “filósofos da razão”, que mostravam que essa estrutura sociopolítica não ajudaria nunca a economia e o iluminismo acabou se tornando bandeira ideológica para Revolução que viria a seguir.



O início da Revolução


Então, a partir de 1786, com a concorrência dos produtos industriais ingleses (têxteis e metalúrgicos), surgiu uma onda de falências, acompanhada de desemprego e queda de salários, arruinando o comércio nacional.



Se levarmos em consideração os aspectos naturais, os fenômenos climáticos (secas e inundações) que eles sofreram, perceberíamos que a coisa não ia nada bem.



Os produtos subiram seus preços por conta da pouca produtividade e começou uma insatisfação geral.



Aí umas coisas interessantes começaram a acontecer: políticos, ministros, começaram a propor projetos reformistas para França, que eram barrados pela aristocracia. Por exemplo, Charles Alexandre de Calonne convocou a Assembléia dos Notáveis – havia também a Assembléia dos Comuns, para o resto da população - e propôs a redução de alguns privilégios da nobreza e do clero e defendeu que todos deveriam contribuir no pagamento de impostos.


Resultado? Ninguém aceitou e ele acabou caindo fora da política (demitiu-se ou o demitiram).



A miséria e fome se alastravam pela França, enquanto a nobreza, que contava com cerca de quatrocentos mil privilegiados, negava-se a admitir qualquer mudança, formando uma espécie de “reação feudal” – não iriam abdicar de elementos feudais em sua política. Eles não desejavam revolucionar a ordem vigente, e sim sobreviver a ela.



Foi quando um cara chamado Necker tornou-se ministro das finanças, no lugar do Calonne e se tornou ministro das finanças. Ele, então, convence o rei a convocar os Estados Gerais.



A Assembléia dos Estados Gerais não era convocada desde 1614. E estamos, agora, estudando o ano de 1786. Nessa assembléia eles reuniram o primeiro, o segundo e o terceiro estado.

Aí o bicho vai pegar.

domingo, 10 de junho de 2012

A Revolução Inglesa - Parte I


Quem reinava era a dinastia Tudor (1485-1603), apoiada pela burguesia e pelo Parlamento. Importa-nos um cara chamado Henrique VIII (1509-1547), que sujeitou o Parlamento à monarquia inglesa e fundou, em 1534, a Igreja Anglicana. Seus filho teve um reinado curto e sua filha, Maria I, casou com o rei da Espanha, o Felipe II, restabeleceu o catolicismo e perseguiu os protestantes.

Quando ela morreu, quem subiu ao trono foi Elizabeth I (1558-1603) e voltou para Igreja Anglicana. Investiu no mercantilismo e na navegação.

Leitura para o aluno:
Incentivando o comércio e a manufatura e associando-se a corsários, o governo de Elizabeth I contribuiu para que a Inglaterra se tornasse uma grande potência econômica e naval. Londres, sua capital, era a maior cidade do norte da Europa.

No reinado de Elizabeth I, assistiu-se ao enriquecimento da burguesia (comerciantes e donos de manufaturas), da pequena nobreza rural (ou gentry, em inglês) e dos pequenos proprietários rurais (yeomen, em inglês). Eles se dedicavam à agricultura comercial: produziam e exportavam lã e alimentos. Para criar ovelhas (e extrair a lã), eles cercaram seus domínios, expulsando as famílias de camponeses que lá viviam. A essa prática deu-se o nome de cercamento. Sem terra onde plantar ou criar, os camponeses vagavam pelas estradas ou iam para as cidades, sobretudo para Londres, onde se ofereciam para trabalhar por baixíssimos salários.


Cercamento: quando as terras comunais passam a pertencer a uns poucos proprietários.

Foi no reinado dela que começou a colonização na América do Norte, mas em 1588, Felipe II da Espanha armou uma expedição naval para atacar a Inglaterra e confirmar sua hegemonia em todo mundo. MAS... ele se deu muito mal e a Inglaterra acabou com a armada de Felipe II. Daí em diante a Espanha entrou em decadência economia e Portugal, que também fazia parte da Espanha nessa época, sofreu da mesma maneira.

A rainha morreu sem herdeiros e o rei da Escócia assumiu o trono, começava a dinastia Stuart com Jaime I - primo da Elizabeth I.

Muitos não ficaram felizes com isso, achavam ele um estrangeiro. Como ele manteve o anglicanismo e caçou católicos e puritanos calvinistas, estes decidiram partir para “nova Inglaterra”, hoje conhecida como “Estados Unidos das Américas”.

Acontecia que a maior parte da burguesia e a gentry, seguiam o puritanismo, que defendia que cada um deveria agir conforme a Bíblia e sua própria consciência. Para os puritanos, a Igreja devia ser independente do Estado.

Leitura para o aluno:

Calvino abordou essa temática no último capítulo das Institutas (Livro IV, Cap. 20), intitulado “O Governo Civil”. Ele afirma na Seção 1: “O reino espiritual de Cristo e a ordem civil são duas coisas completamente diferentes”. Também diz: “Não podemos – como comumente acontece – imprudentemente confundi-las, pois ambas têm uma natureza completamente distinta”. Essa distinção entre a Igreja e o Estado significa que cada domínio tem o direito de existir e que o Estado, assim como a Igreja, também é estabelecido por Deus, devendo, portanto, ser igualmente respeitado pelos cristãos. Portanto, a Igreja não deve usurpar as funções do Estado nem o Estado, as funções e prerrogativas da Igreja.

Trecho retirado de: http://www.mackenzie.br/7070.html

Já a alta nobreza e os reis ingleses praticavam o anglicanismo, religião na qual o chefe da Igreja é o próprio rei.

O parlamento inglês também se encontrava dividido: na Câmara dos Lodres estavam os representantes da alta nobreza, e na Câmara dos Comuns, os representantes da burguesia, da gentry e demais setores da população.




Depois de Jaime I veio Carlos I. Esse era ainda mais problemático e autoritário.

Carlos I concedeu monopólio a alguns grupos burgueses e criou impostos. Um desses impostos, o "ship money", antes pago apenas pelas cidades portuárias, passou a ser pago por todos. Era um imposto destinado à defesa naval.

A oposição contra ele era maior e não parava de crescer, então ele decidiu dissolver o Parlamento. Invadiu a Câmara dos Comuns com seus guardas e prender todos os líderes oposicionistas.

Acontece que esses líderes foram avisados antes, fugiram de lá e se uniram com tropas armadas organizadas para lutar contra o rei. 

Essa é a famosa Guerra Civil da Inglaterra (1642-1649), durante o qual os Ingleses estiveram divididos em dois grandes grupos rivais: 

A favor do rei estava a alta nobreza e a burguesia monopolista, que eram anglicanos e católicos.

Contra eles estava a burguesia comercial e manufatureira e os gentries (pequena nobreza rural), que eram puritanos ou presbiterianos.

Nessa história se destacou um puritano chamado Oliver Cromwell, que remodelou o Exército e venceu várias lutas. Estabeleceu que os soldados seriam promovidos pela competência nas lutas e não mais pelo sangue nobre.

Foi quando na Batalha de Naseby ele derrotou o exército de Carlos I e pôs fim ao seu reinado. O Rei fugiu pra tudo quanto é canto, mas foi capturado em 1649. Adivinha o que aconteceu?

Foi aí que a república foi proclamada e Cromwell subiu ao poder!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Unificação Alemã

O congresso de Viena formou na região norte da Europa a Confederação Germânica, composta por 39 Estados soberanos.

Dois Estados se destacavam nessa região:

1º Império Austríaco – absolutista e de economia agrária, cuja supremacia era garantida pelo número de Estados que tinha na confederação.

A Áustria se contrapunha a...
2º Prússia, que era mais desenvolvida comercialmente e industrialmente.
Elas se contrapunham no tocante as influências de poderes e alianças dentro da Confederação. E a Prússia tinha uma ambição interessante... ela buscava um grande Estado germânico afim de se afirmar internacionalmente.



O primeiro passinho para essa unificação foi em 1832, quando criaram o Zollverein – união alfandegária – que derrubou as barreiras aduaneiras entre os Estados alemães.

Isso fez com que o comercialismo e industrialismo alemão se desenvolvessem melhor.

Como a Prússia e a Áustria já trocavam faíscas, os prussianos pretenderam deixar os austríacos de fora do Zollverein, mas a Áustria ameaçou guerrear e fez com que a Prússia recuasse nessa situação.
A partir daí o Império Austríaco viu que poderia impor seus interesses dentro da Confederação Germânica (1820) e ela era contrária à unificação, enquanto a Prússia iniciou, principalmente a partir de 1860, sua luta pela unificação alemã.

Qual estratégia?

Exaltar o espírito nacionalista alemão por meio da participação em guerras. Quem estava a frente desse plano era o chanceler Otto Von Bismarck.



Otto Von Bismarck foi um diplomata e político prussiano. Um dos mais importantes para a Alemanha, inclusive, por lançar as bases do 2º Reich (Império) alemão.  Filho de uma família rica, grandes proprietários junkers.

Junkers são aqueles que fazem parte da alta burguesia e mantém alianças com os grandes proprietários aristocratas. Burgueses que conquistaram sua nobreza.

Ele queria a unificação alemã.

Então, retomando: O plano era exaltar o espírito nacionalista alemão por meio da participação em guerras.

Prússia e Áustria se juntaram numa luta contra a Dinamarca, chamada Guerra dos Ducados (1864), porque queriam a devolução de alguns ducados (Holstein e Schleswig) que ficaram com a Dinamarca por causa do Congresso de Viena.

Obviamente eles venceram, mas surgiu um problema aí e mais uma guerra: A guerra das Sete Semanas, em que a Prússia derrotou a Áustria nesse período. A disputa entre elas é óbvia: ambas queriam os ducados tomados da Dinamarca.

Além da Prússia ficar com os territórios em disputa, a Confederação Germânica ficou insustentável e chegou ao fim.

Os Estados precisaram se reorganizar e Bismarck, agindo em nome do kaiser Guilherme I Hohenzolern, colaborou para que surgisse a Confederação Germânica do Norte.

Já os Estados do sul mantiveram sua autonomia ou se renderam a influência austríaca. Eles eram um empecilho para unificação.

Outro empecilho era Napoleão III, que não queria uma potência em sua fronteira.

Bismarck, muito inteligente, explorou a rivalidade franco-prussiana e aí as tensões se aguçaram quando, em 1869, o trono espanhol ficou vago. A pessoa indicada para o trono foi um cara chamado Leopoldo Hohenzollern – primo do kaiser Guilherme I.

Napoleão III não gostou nada disso porque via um cerco dessa dinastia alemã ao seu país e vetou a sucessão ao trono.

Bismarck, então, aproveitou para forjar um estado de guerra entre França e Prússia. Ele alterou o texto de uma carta de Guilherme I ao embaixador francês.

Eles estavam se comunicando por cartas sobre assuntos relacionados ao trono espanhol e o Guilherme I acatava algumas coisas impostas pelo Napoleão III.

Na carta,
O rei havia dito que não poderia se encontrar com o embaixador francês, se desculpou e explicou os motivos, enquanto Bismarck, após alterar o texto, disse apenas que o rei não pretendia se encontrar com o embaixador e não tinha mais nada pra falar com ele.

Isso soou ofensivo para os franceses e imediatamente foi declarada guerra.

Bismarck não declararia guerra só pra brincar e ele já tinha previsto algumas coisas:
1.       Que os Estados do sul da antiga Confederação Germânica se juntariam a causa prussiana.
2.       Que eles venceriam a guerra por isso.

Em 1871, para humilhação dos franceses, foi criado na Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes o Segundo Reich alemão.

Derrotaram os franceses e unificaram o território graças ao sentimento de nacionalidade contra um inimigo comum. Com a vitória, foi feito o Tratado de Frankfurt que dizia o seguinte:
França tinha que pagar 5 bilhões de francos e entregar as regiões de Alsácia e Lorena, que eram ricas em minérios.

Isso tudo fermentou o revanchismo francês.

Com a unificação, a Alemanha cresceu vertiginosamente e em 1900 já produzia mais aço que a Inglaterra.

Suas industrias colocaram em risco a hegemonia britânica mundial e começou a causar um clima negativo na Europa, que nós chamamos de Paz Armada.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Encontrado o Ouro! – Parte II (Guerra dos Emboabas)

A extração  de ouro e diamantes no Brasil deu origem à intervenção regulamentadora mais ampla que a Coroa já havia realizado.


Ela elaborou várias medidas para organizar a vida social nas minas e em outras partes da Colônia, seja em proveito próprio, seja para evitar que a corrida ao ouro resultasse em caos total.


Um exemplo: como muita gente queria ir pra Minas, a coroa limitou a entrada dessa galera pra não desapropriar as regiões já ocupadas da colônia.


Outro: Pra reduzir o contrabando e aumentar suas receitas, a Coroa estabeleceu formas de arrecadação de tributos.


De um modo geral, houve dois sistemas básicos: o do quinto e o da capitação.

1.         O quinto consistia na determinação de que a quinta parte de todos os metais extraídos devia pertencer ao rei. Esse quinto era deduzido do ouro em pó ou em pepitas que eram levados as casas de fundição.
2.         A capitação foi lançada pela Coroa para lucrar mais ainda, porque era mais abrangente. Consistia num imposto cobrando por cabeça de escravos, produtivos ou não, de sexo masculino ou feminino, maior de 12 anos, que estivessem na região.


É interessante saber que, como os paulistas foram os primeiros a chegarem no local, a Câmara de São Paulo reivindicou junto ao rei de Portugal que somente os moradores da vila de São Paulo poderiam obter concessões de exploração.


Acontece que os fatos se encarregaram de demonstrar a inviabilidade do pretendido diante da onda não só de portugueses, mas de brasileiros, sobretudo baianos, que chegavam à região de minas.


Disso resultou a guerra civil conhecida como Guerra dos Emboabas (1708-1709)


O que foi essa guerra?
Foi uma sucessão de conflitos que opos paulistas (os bandeirantes que descobriram as regiões mineradores nos sertões de São Paulo) contra os emboabas.


Emboaba é uma designação genérica de forasteiros que avançaram em cima das regiões que os paulistas consideravam suas. Claro, boa parte do Estado de Minas Gerais de hoje, na ocasião era o sertão da capitania de São Paulo e Rio de Janeiro. Era uma área indefinida. Por isso chama-se Minas Gerais, já que as minas estavam espalhadas por um território indefinido.


E por que “emboaba”?
Emboaba é uma palavra de origem tupi, que significa “aves de pés emplumados”. Diziam isso porque os portugueses calçvam botas altas. Mas a palavra tem conteúdo pejorativo e passou a designar aquele que não era paulista.


Então essa guerra foi um conflito repleto de brigas, tiros, corre corre e que tomou conta da região durante alguns meses. Os paulistas pretendiam controlar a região a qualquer custo, porque tinham o monópólio da região nos primeiros tempos. Ocupavam cargos administrativos importantes, etc.


Mas os emboabas engrossaram a população e mudaram o jogo de forças. Passaram então a reivindicar os mesmos cargos dos paulistas. Daí o levante. Que é um levante dos emboabas contra os paulistas.


Os emboabas venceram os paulistas.
Venceram não só no campo militar, mas também no campo ideológico. * pesquisar Manuel Nunes Viana


Para a Coroa não era interessante os paulistas ficarem no poder da região das minas, porque eles eram considerados rudes, bárbaros, mal sabiam a língua portuguesa. Significaram um risco para o domínio português na América Portuguesa.


O conflito é resolvido em 1709, quando um governador chamado Antonio de Albuquerque consegue entrar na região, cria câmaras e leva o conflito pro âmbito do universo das disputas políticas nas câmaras municipais e vai nascendo aí o território, com seus edifícios de organização pública.


Mais do que a criação de Minas, isso tudo colaborou com a criação do próprio brasileiro!

Veja,
Houve a primeira grande diáspora histórica do. Conta-se quase 800 mil portugueses, quase 1 milhão de africanos, havia os índios na região e os colonizadores de pernambuco, de são paulo, etc. Esse caldeirão colaborou para formação do que é o brasileiro.


Por exemplo, o idioma portugues só se tornou dominante no brasil por causa do episódio do ouro de minas. Antes era um guarani codificado pelos jesuítas, que era falado em SP, no Amazonas, no interior do nordeste, etc.

Segunda Corrida do Ouro (década de 80 do século XX)




segunda-feira, 23 de abril de 2012

Encontrado o Ouro! – Parte I

Em suas andanças pelos sertões, os paulistas iriam afinal realizar um velho sonho dos colonizadores portugueses!


Em 1695, no rio das Velhas, no Estado de Minas Gerais, ocorreram as primeiras descobertas significativas de... Ouro!


A partir daí, os quarenta anos seguintes seriam de riqueza, com ouro em Minas Gerais, na Bahia, em Goiás e no Mato Grosso.


Essa exploração de metais preciosos teve importantes efeitos na Metrópole e na Colônia.


Em Portugal, começou a primeira grande corrente imigratória para o Brasil. Durante os primeiros sessenta anos do século XVIII chegaram de Portugal e das ilhas do Atlântico cerca de 600 mil pessoas, das gentes mais variadas: pequenos proprietários, padres, comerciantes, aventureiros, prostitutas e de todo tipo!


Por outro lado, os metais preciosos vieram aliviar momentaneamente os problemas financeiros de Portugal.


Que problemas financeiros?

Primeiro que ocupar a colônia foi muito custoso e eles não encontravam ouro. Passaram a cultivar o açúcar para ver se quebrava o galho e... até funcionou durante um determinado período de tempo.


Mas acontece que os holandeses tomaram o principal polo de açúcar da colônia portuguesa em 1624, o nordeste, e, quando foram expulsos na metade do século, esses holandeses já haviam aprendido as técnicas de cultivo da cana de açúcar e passaram a cultivá-la nas Antilhas.


Daí Portugal não só perdeu seu antigo monopólio como também não conseguia nem mesmo fazer frente ao preço e a qualidade do açúcar antilhano.


Ou seja, essa produção, outrora a mais lucrativa da colônia, já havia deixado de ser.


Além disso, no ano de 1703, Portugal e a Inglaterra fizeram um acordo para trocar panos e vinhos. A ideia era simples: Inglaterra supria Portugal com tecido de sua produção manufaturada e Portugal amassava uva para Inglaterra. Esse acordo é conhecido como Tratado de Methuen.


Acontece que os portugueses acumularam grandes dividas geradas pela necessidade crescente de se consumir os produtos ingleses, porque a demanda portuguesa por tecidos era bem maior que a riqueza produzida pela venda de vinho à Inglaterra.


Vamos devagar e entender isso melhor, porque é complexo! Por quê que os portugueses acumularam grandes dividas e precisavam consumir os produtos ingleses?


Porque a coroa portuguesa tinha um enorme império mercantil, mas todo lucro obtido nessa prática era revertido na forma de gastos que somente mantinham o elevado padrão de vida dos nobres e membros da família real portuguesa. Os recursos não eram usados para dinamizar a economia interna, criar mercados, novos produtos, manufaturas e eliminar necessidades de importar produtos. Daí, a balança comercial em Portugal estava desfavorável.


Mas então veio o ouro.

Esse desequilíbrio na balança comercial era compensado pelo ouro vindo do Brasil. Os metais preciosos realizaram um circuito triangular:

Uma parte ficou no Brasil, dando origem à relativa riqueza da região das minas;

Outra seguiu para Portugal, onde foi consumida no longo reinado de Dom João V (1706-1750), em especial nos gastos da Corte e em obras como o gigantesco palácio-convento de Mafra;

Outra parte, finalmente, foi para em mãos britânicas, acelerando a acumulação de capitais na Inglaterra.


Mas por que justamente a Inglaterra se beneficiou sobre Portugal?

Porque Portugal, ao longo da História, viveu sofrendo ameaça da Espanha. Ao longo de toda história de Portugal foi assim e por isso ele também vivia contando com a ajuda da Inglaterra para se proteger. São aliados históricos!


Quando a União Ibérica terminou, em 1640, Portugal passou a ser governado por D. João IV, da dinastia de Bragança. Imediatamente Espanha declarou guerra a Portugal, que foi obrigado a estabelecer inúmeras alianças pela Europa, que agravaram ainda mais a crise que abatia o país.


Por isso Portugal foi obrigado a fazer concessões comerciais aos ingleses, que iam desde o a venda de produtos manufaturados com taxas alfandegárias reduzidas até a permissão para burguesia inglesa fazer comércio direto com o Brasil.

Esse é o Tratado de Methuen, também conhecido como Tratado dos Panos e Vinhos: Portugal comprava os produtos da Inglaterra sem cobrar taxas de alfândega muito caras, era protegido e vendia vinho.

O resultado não foi bom para Portugal, mas eles se manteram independentes, pelo menos.

Esse boom dos metais fez tudo mudar:

1.  Houve o deslocamento da população que corria atrás de ouro, tanto do litoral quanto da metrópole para o Brasil.

2.      Aumentou o preço de mão-de-obra escrava, porque se ampliou a procura.

3.  Em termos administrativos, o eixo da vida da Colônia deslocou-se para o centro-sul e especialmente para o Rio de Janeiro, por onde entravam escravos e suprimentos e por onde saía o ouro.


Não por acaso, em 1763 a capital do Vice-Reinado foi transferida de Salvador para o Rio.

quinta-feira, 19 de abril de 2012


As Bandeiras

A grande marca deixada pelos paulistas na vida colonial do século XVII foram as bandeiras.

O que eram? Expedições.

Reuniam milhares de índios e lançavam-se pelo sertão, passando meses e às vezes anos em busca de indígenas a serem escravizados e metais preciosos.

Mas índios caçavam índios?

Sim. Não é difícil entender que os índios já cativos participassem dessas expedições, porque a guerra era uma atividade própria do homem nas sociedades indígenas.

Haviam também os mamelucos (filho de índio com branco) e os próprios brancos.

Por exemplo, a grande bandeira de Raposo Tavares, que atacou a região de Guaíra em 1629 era composta de 69 brancos, 900 mamelucos e 2 mil indígenas.

E quais eram as relações, os interesses da coroa e do bandeirismo?

Houve bandeiras que contaram com o incentivo direto da administração portuguesa e outras que não.

De modo geral, eles buscavam metais preciosos, o apresamento de índios e, não menos importante, a expansão territorial. Todos esses eram objetivos da metrópole!

Outros trabalhos, como guerrear também existia. Foram os bandeirantes que liquidaram com o quilombo dos Palmares em Alagoas (1690-1695).

Palmares foi o maior e mais duradouro de todos os quilombos brasileiros. Começou em 1597, quando cerca de 40 escravizados fugiram de um engenho no litoral nordestino e refugiaram-se na Serra da Barriga, em Alagoas. O lugar era cheio de palmeiras e daí o nome.

Quando os holandeses invadiram o nordeste (1624-1654) muitos escravos fugiram e o quilombo chegou a acumular 15 mil habitantes.


------------------------ SOBRE A HOLANDA
Você se lembra de que houve a União Ibérica, que durou de 1580 até 1640? Quando foi unificada a coroa portuguesa e espanhola. Felipe II era neto do rei de Portugal, D. Manuel I, e assumiu o trono.

Daí dois fatores importantes merecem destaques:
1.       O tratado de Tordesilhas podia ser ignorado.
2.       Espanha estava em guerra contra os países baixos. Uma guerra que não tinha nada a ver com Portugal. Agora, sob uma única coroa, os países baixos passaram também a atacar Portugal.

Por que eles estavam em guerra?

Os países baixos eram governados também pelo Império Espanhol de Felipe II.

e lutavam por dois motivos:
1.       Eles queriam ser independentes.
2.       Eles eram de maioria calvinista, enquanto a Espanha era católica.
------------------------ SOBRE A HOLANDA

Tinha de tudo por lá, africanos, descendentes de africanos, brancos pobres e índios.

Palmares estava sempre em guerra porque as autoridades portuguesas e os senhores de engenho não conseguiam ficar em paz sabendo que havia um lugar para seus escravos fugirem.

Nessas várias guerras, se destacou um carinha chamado Zumbi, que começou a liderar o grupo.

As autoridades então contrataram o mercenário Domingos Jorge Velho. Ele, com seu exército de 6,5 mil homens, derrubaram com balas de canhão as muralhas do quilombo. Foi um massacre para os quilombolas esse ano de 1694.

Zumbi escapou, mas foi morto no ano seguinte por traição. Morreu no dia 20 de novembro de 95. Por isso esse é o Dia Nacional da Consciência Negra.

Voltando às bandeiras. Eles desbravavam o território, descobriam-no, buscavam ouros e índios. Mas o que faziam com esses índios?

Vendiam como escravos em São Vicente... e também no Rio. Lá a produção de açúcar e trigo se desenvolvia.

Os dados indicam que pelo menos 1/3 ou 1/4 da força de trabalho dos engenhos no Rio era de índios.
Não podemos ignorar o fato de que entre 1625 e 1650 os holandeses estavam atrapalhando o comércio de escravos.

Não é por acaso que as bandeiras são marcas desse período.

Então...
Além dos holandeses atrapalharem a vinda de escravos africanos para a América Portuguesa, eles desorganizaram a vida nos engenhos do nordeste, quando invadiram, e colaboraram com a fuga de mais escravos. Daí Palmares abrigar tanta gente.

E, o tratado de Tordesilhas estava sendo ignorado... ou seja, a galera podia ir conhecer o território central.

Tudo isso influenciou para o bandeirismo.

terça-feira, 17 de abril de 2012


Empresa Agrícola na América Portuguesa
Comentário: Essa aula tem como intenção apenas situar os estudantes do processo que culminou nas bandeiras e na atividade mineradora.

Era na região nordestina que estava concentrada as atividades econômicas e a vida social mais significativa da Colônia: nesse período, o sul foi uma área periférica, menos urbanizada, sem vinculação direta com a economia exportadora. São Paulo, por exemplo, tinha menos de 2 mil habitantes em 1600.


Não por acaso, Salvador foi a capital do Brasil até 1763.


O que fazia a colônia funcionar? As empresas açucareiras.


O açúcar ainda era uma especiaria no século XV-XVI. Artigo caro, valioso, usado como remédio ou condimento exótico.


Mas alguns livros de receitas do século XVI indicavam que o açúcar estava ganhando lugar no consumo da aristocracia europeia.


Consequentemente, logo passaria de um produto de luxo a um bem de consumo de massa.


Isso aconteceu porque nas décadas de 1530 – as capitanias se estabeleceram em 1534 - e 1540 a produção açucareira se estabeleceu no Brasil com bases sólidas.


Os portugueses já tinham certa experiência com a produção açucareira, porque já haviam iniciado há algumas dezenas de anos a produção em escala relativamente grande nas ilhas do Atlântico.


Isso foi uma medida política que fez com que os colonizadores deixassem de ser uma empresa espoliativa e extrativa para passarem a ser parte integrante da economia europeia. Porque agora se aplicavam técnicas e capitais para criar uma forma permanente de fluxo de bens destinados ao mercado europeu.


Mas o que fez com que os portugueses começassem essa prática agrícola?


Quando foram encontradas terras americanas, isso foi um episódio secundário para os portugueses durante todo primeiro quarteto do século XVI.


Mas quando a Espanha encontrou ouro nas civilizações mexicanas e andinas, aí a coisa tomou tamanha proporção que contrapôs os “donos” das terras – Espanha e Portugal - contra as demais nações da Europa.


O ouro, para essas nações, era o que mais importava. A partir desse momento a ocupação da América deixa de ser um problema exclusivamente comercial: agora também é um problema político, porque outros países tentarão estabelecer-se em posições fortes a fim de tomar o território, ou começar uma nova descoberta.


Essa pressão exercida pelas outras nações sobre Portugal e Espanha, que defendiam que eles não tinham direito senão àquelas terras que houvessem ocupado de fato, fez com que se desse início na ocupação do território.


Se não a ocupassem, a perderiam.


Mas isso poderia ser um baita de um prejuízo, porque eles precisariam desviar recursos de empresas muito mais produtivas do Oriente para ocuparem, já que isso demanda investimento: 

em regra, as plantações de cana demandam equipamento para processá-la, as construções, os escravos e outros itens, como gado, pastagens, carros de transporte, além da casa-grande.

A esperança de encontrar ouro pesou na decisão tomada pela ocupação.


O que eles fizeram então? Passaram a praticar a atividade agrícola. O que também era um risco enorme, porque a Espanha já havia tentado no México e não havia dado muito certo.


Fora que nenhum produto agrícola era objeto de comércio em grande escola dentro da Europa. O principal era o trigo, mas já tinha muita gente produzindo isso por lá. Isso sem contar os fretes (taxações – protecionismo) para ir vender seus produtos em outros países, acabaria não sendo muito lucrativo. 


Daí a grande sacada: a produção do açúcar. Essa produção, porém, se por um lado começou muito valiosa, conforme aumentava a qualidade técnica do trabalho e mais se produzia, mais barato ele foi se tornando.


Mas sem esse esforço, a América portuguesa teria sido um ônus muito grande e dificilmente Portugal teria conseguido mantê-la. Por isso os portugueses desse período são universalmente conhecidos.


Além do açúcar, o fumo também foi uma atividade destinada à exportação, mas estava longe de competir com o açúcar. 


E, muito importante, foi no âmbito da produção açucareira que se deu com maior nitidez a gradativa passagem da escravidão indígena para a africana. Nas décadas de 1550 e 1560, praticamente não havia africanos nos engenhos do Nordeste, mas no século XVII eles já eram maioria.


Porém, apesar desses dados, pessoas de uma região continuavam caçando índios para escravizá-los sem parar, atacando as missões (grandes aldeamentos indígenas organizados pelos padres jesuítas) atrás de trabalhadores nas fazendas de trigo.


Isso acontecia em São Paulo, e esses caçadores/desbravadores são conhecidos com bandeirantes.